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O Bolo

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Moro sozinho, sem gatos nem cachorros, e sou diabético. O que tem o diabetes a ver com essa estória? Bem, não se encontra doces para diabéticos em qualquer esquina e eu estava desejoso de comer um bolo de chocolate. Foi assim que tudo começou. Para fazer um bolo, segundo minhas pesquisas, uma das coisas de que precisaria além do pacote de bolo, evidentemente, seria uma batedeira. Mas eu não tinha batedeira. Então fui até uma loja de departamentos e rapidamente encontrei o que procurava. Batedeiras! Sim, eram várias! Dos mais diversos tamanhos, das mais diversas cores e marcas. Ótimo! Contudo, eu só quero fazer um bolo de chocolate. Procurei a mais simples. Enquanto escolhia uma vovó às minhas costas comentou: - Só 150 watts? Essa é muito fraquinha! Respirei fundo e fiz de conta que não era comigo. Logo chegou a acompanhante da vovó e acrescentou dirigindo-se a mim: - É mesmo. Essa aí é muito fraquinha. O senhor vai se arrepender. Aí fui obrigado a retruca...

Paty e Kzar em: A última fronteira (Aventura Final)

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Foi uma notícia de última hora. Um daqueles momentos que não se espera e não se deseja viver. A Paty subiu. Foi para o andar de cima assim, sem aviso prévio. - Estou deveras compungido! - O André arranca os pentelhos, mas não demonstra que sofre! - Kzar, cada um sofre do seu jeito, guri! - Sei... - Bem estamos chegando, capela seis... É aqui... - Ih, olha a Paty lá, mortinha com cara de defunta! Plaft! - Eeeii! - Olha o respeito moleque! - Como assim respeito? Sempre nos tratamos assim, vai mudar agora por quê? Só por que ela morreu primeiro? Vocês viraram ateus agora? - O que queres dizer meu jovem? - Bah André, o Cezar demorar a entender vá lá, sempre teve uma faísca atrasada mesmo, mas tu, Brutus? Mas, vamos lá, explicações sobre o óbvio: todo mundo morre, a Paty foi na frente, mas todo mundo vai, então, ou acreditamos em outra vida, e nesse caso ela está lá esperando por nós, ou não, e nesse caso, bem, aí não faz diferença mesm...

Coisas da vida e da morte

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Quando digo que estamos todos morrendo desde o nascimento estou apenas constatando um fato que a biologia comprova. Aí o sujeito na rua me olha espantado, interrompe meu raciocínio e me proíbe de dizer isso. Que dá azar. Que bobagem! O que dá azar é viver uma vida eivada de preconceitos, emitindo juízo de valor sobre terceiros. O que dá azar é criar expectativas demasiado longas sobre si mesmo (a) e os demais, amealhando frustrações, sofrimentos e decepções ao longo do caminho. O que dá azar é ser incapaz de buscar o autoconhecimento, a paz indelével que uma dúvida pode te trazer, quando te previne a soberba do julgamento sobre o que, de fato, não tens pleno conhecimento. Isso sim dá um azar danado. Agora, morrer? Não temer a morte? Não dá azar coisa nenhuma! Afinal, só morre quem viveu e viver, mas viver mesmo, parceiro (a)... Ah!... Isso é para poucos!

Sem Exceção

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Olá! Permitam-me que me apresente. Eu sou o Mestre Henrique [i] , o contador de histórias. Na verdade, eu conto estórias, mas como ela se fundamenta em histórias, no fim uma é descendente da outra. Agora, a história. João nasceu na favela. Aos dez anos perdeu o pai, vítima de uma bala perdida. Sua mãe, Dona Alzira, ficou com uma pequena pensão e, com seu trabalho como lavadeira, sustentou a casa e educou João da melhor forma que pôde. Por sugestão de seus professores, segundo os quais, o menino era extremamente inteligente e merecia uma educação melhor, sua mãe matriculou-o na melhor escola que pôde pagar. Passavam por necessidades, é verdade. Mas, ao menos, pensava sua mãe, João teria um futuro. O menino compreendia o sacrifício de sua mãe e dedicava-se aos estudos. Sonhava em ser advogado e defender aqueles à sua volta, que não tinham voz. - Mãe, a senhora ainda vai ter muito orgulho de mim, dizia todas as noites quando a mãe o colocava para dormir. - Mas eu j...

O Nascimento De Uma Estrela

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Caro André: Claro que o tempo reconstrói nossa memória. Por isso mesmo faço questão de reescrever esse texto que reflete o teu nascimento. Pois bem, foi assim: Naquele dia 23 de junho de 1998, perto da hora do café, sua mãe me disse: - Ai, rompeu a bolsa! Olhei em volta refletindo: -Mas não tem nenhuma bolsa por aqui! Fiquei intrigado, procurando ao meu redor uma bolsa que pudesse ter-se rompido. Imaginei que ela tivesse lido isso no jornal, mas logo concluí que uma quebra violenta na bolsa seria manchete e eu já teria lido sobre o assunto. Nesse ínterim, ela interrompe meu raciocínio gritando: - A bolsa rompeu, chama um táxi! Convém ressaltar que eu tinha uma parati, na época, mas não estava mais em condições de dirigir depois da terceira cabeçada tentando passar pela parede rumo ao telefone (fica complicado caminhar e pensar na bolsa de valores, na porta, no táxi, no telefone e no nascimento do filho, tudo ao mesmo tempo). A porta, pude constatar horas depois ao ...

Pega ladrão!

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“A verdadeira medida dos delitos é o dano causado à sociedade. O fim, pois [da pena], é apenas impedir que o réu cause novos danos aos seus concidadãos e dissuadir os outros de fazer o mesmo.” Dos Delitos e das Penas, Cesare Beccaria. Girino era tido e havido como um reles ladrãozinho. Contudo, sua última investida, ainda que não lhe elevasse de nível em seus crimes, o fez, e muito, em sua pena. Tudo começou quando Girino saiu à socapa com um pandeiro da loja de usados do seu Nestor. Ocorre que o previdente Nestor já de há muito andava de olho no Girino e, quando percebeu que o instrumento lhe faltava não teve dúvidas, correu até a porta já gritando para o dono da quitanda, por quem Girino acabara de passar. - Pega o ladrão! - O que ele fez? Perguntou o quitandeiro. - Furtou um pandeiro! - O quê?  Matou o padeiro? Tornou um dos clientes do quitandeiro, disparando em perseguição ao meliante. Ao perceber que algo ocorria, dona Maria, comerci...