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Os Zés

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Foto João de Carvalho O Zé é meu vizinho. Dele dizem os de fora: uma candura de pessoa. Zé acorda cedo faz sua higiene, toma café e vai trabalhar. Não é o trabalho que sua mãe queria para ele, num escritório de gravata e paletó, afinal, quando mais jovem preteria os estudos em função do futebol, da bicicleta e de “correr rua” como dizia sua genetriz. Embora o trabalho não seja dos melhores, Zé sabe muito bem que há outros piores. Trabalhar como pedreiro, por exemplo, fazendo massa e erguendo paredes num sol de 40 graus sempre seria um bom exemplo. Essa imagem de si mesmo sujo de massa e cheirando a suor todos os dias sempre o assustou, de sorte que se dá por muito contente trabalhando como vendedor numa grande loja de departamentos. O dinheiro é pouco, mas o bastante para sustentar a esposa e a filhinha com dignidade. Desde sua chegada à empresa Zé sempre foi muito bem quisto. Sorridente, brincalhão, “um amor de rapaz” como diz dona Viviane, a senhora da limpeza. D...

Paty e Kzar em: A última fronteira (Aventura Final)

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Foi uma notícia de última hora. Um daqueles momentos que não se espera e não se deseja viver. A Paty subiu. Foi para o andar de cima assim, sem aviso prévio. - Estou deveras compungido! - O André arranca os pentelhos, mas não demonstra que sofre! - Kzar, cada um sofre do seu jeito, guri! - Sei... - Bem estamos chegando, capela seis... É aqui... - Ih, olha a Paty lá, mortinha com cara de defunta! Plaft! - Eeeii! - Olha o respeito moleque! - Como assim respeito? Sempre nos tratamos assim, vai mudar agora por quê? Só por que ela morreu primeiro? Vocês viraram ateus agora? - O que queres dizer meu jovem? - Bah André, o Cezar demorar a entender vá lá, sempre teve uma faísca atrasada mesmo, mas tu, Brutus? Mas, vamos lá, explicações sobre o óbvio: todo mundo morre, a Paty foi na frente, mas todo mundo vai, então, ou acreditamos em outra vida, e nesse caso ela está lá esperando por nós, ou não, e nesse caso, bem, aí não faz diferença mesm...

O Nascimento De Uma Estrela

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Caro André: Claro que o tempo reconstrói nossa memória. Por isso mesmo faço questão de reescrever esse texto que reflete o teu nascimento. Pois bem, foi assim: Naquele dia 23 de junho de 1998, perto da hora do café, sua mãe me disse: - Ai, rompeu a bolsa! Olhei em volta refletindo: -Mas não tem nenhuma bolsa por aqui! Fiquei intrigado, procurando ao meu redor uma bolsa que pudesse ter-se rompido. Imaginei que ela tivesse lido isso no jornal, mas logo concluí que uma quebra violenta na bolsa seria manchete e eu já teria lido sobre o assunto. Nesse ínterim, ela interrompe meu raciocínio gritando: - A bolsa rompeu, chama um táxi! Convém ressaltar que eu tinha uma parati, na época, mas não estava mais em condições de dirigir depois da terceira cabeçada tentando passar pela parede rumo ao telefone (fica complicado caminhar e pensar na bolsa de valores, na porta, no táxi, no telefone e no nascimento do filho, tudo ao mesmo tempo). A porta, pude constatar horas depois ao ...