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Mostrando postagens de Julho, 2008

Das mães

Mãe...São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito

Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!

Mário Quintana

Que Será de Nossos Fantasmas?

Noutros tempos a sociedade era neurótica, hoje é paranóica. De quem será a culpa?[1] Parece-me que a culpa é dos arquitetos. Sim, dos arquitetos. Pois foram eles que tiraram, das casas, os porões e os sótãos. Sem sótãos e sem porões aonde diabos irão habitar os nossos fantasmas? De família ou adquiridos ao longo do caminho, aonde irão se encontrar para bater aquele papo de fim de noite com seus velhos, e defuntos, amigos? E as nossas crianças? Crescerão sem o sibilar dos ventos naquelas velhas janelas de grandes sótãos onde dormiam as corujas, os morcegos, e os fantasmas que, à noite, faziam das suas, divertindo-se em despertar o medo, latente em todo ser humano desde a idade da razão, com relação à sua transitoriedade neste plano.
Se isso já soa terrível, que dizer, então, daqueles fantasmas (underground) que habitavam os porões das casas antigas? A eles, mais que aos fantasmas dos sótãos, não interessa ficarem expostos ao dia em garagens cheirando a óleo e graxa ou em quartinhos aper…

Eleição, Hora De Acabar Com o Mal Pela Raiz

Sabe o quanto dói uma dor de dente? Sabe mesmo? A geração atual não conhece este problema. Falo, evidentemente, das classes D para cima. A classe E que fique no limbo do Esquecimento, como sua sigla bem o sugere. E quem não gostar desta afirmação, ou achá-la inconveniente, dê uma olhada nas páginas policiais. Nas vilas, no Natal, tem pivete apontando arma para o Papai Noel. Estes já nascem com a dentadura condenada. Ali a dor é estatutária. Não pode ser removida nem por decreto presidencial mas, se por algum meio for excluída, voltará através de recurso. Contudo, mesmo que não volte, continuará no plano psicológico donde não sairá jamais.
A favor destes exilados da sociedade resta o consolo de que uma dor estatutária, torna-se ineficiente, deixando, depois de um certo tempo, de surtir efeito no corpo. Mas aí seus sinais já estão calcados nos indivíduos. Pois que a dor tira a concentração, incapacitando de tal forma que torna impossível ao raciocínio entender a realidade.
Que…

Menos Um Marginal No Mundo

“O nome é Diogo. Idade? Quinze. Por que caí[1]? 1-5-7[2]. Meu pai? Morreu antes de eu nascê. A mãe conta que ele tava de bobeira e um policial encheu ele de bala. Disseram que ele tinha uma arma. Mas a mãe diz que ele nunca teve arma. Ele tinha 16. A mãe? É mulher da vida”.
Encostado junto ao meio fio, Beto aperta um baseado. Viver estava cada vez mais complicado. A namorada acabara de comunicá-lo, estava grávida. Aí sim, refletia enquanto acendia o cigarro, já era difícil ajudá a mãe... Imagina, agora com um filho! Que estranho! Acho que vô me acostumá com isso. A gente se acostuma com tanta coisa... A gente se acostumou co’a morte do pai e do Chico. Morre um aqui... Nasce um ali... A gente se acostuma. Mas o Chico foi doído. A mãe ainda sente a falta dele. Ela não fala, mas fica a tarde intera na frete da geladera, olhando aquela foto onde a gente era piá, brincando na rua. Também, aquele burro tinha jeito pra se metê em briga. Um dia ia dá nisso. A mãe já devia sabê. Bom…

O cego e o poeta

Em uma rua de Paris havia um cego, com uma placa dizendo “me ajude, sou cego” e uma caneca de esmolas na mão, contudo, poucos o ajudavam. Certo dia um poeta passou por ele sem consultá-lo trocou os dizeres da placa.
O cego passou a receber muita ajuda. Curioso, perguntou àquele que viera buscá-lo o que havia mudado. Este lhe respondeu: não sei, mas na sua placa está escrito: “É primavera em Paris e eu não posso ver as Flores”. Autor desconhecido.