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Mostrando postagens de Setembro, 2008

MINHA CRIANÇA

Minha criança saiu a passear, visitar amiguinhos.
Me pediu moedinhas - uns tostões, duzentos reis
para fazer compras... compras de criança.
Adulto sempre diz – não! Faz mal, tira a fome, não alimenta.
Minha criança birrenta insistiu,
choramingou, fez beicinho. Disse que gosta de mim.
Dizer não - hum! Não consegui. Consenti!

Saiu pulando, cantando, feliz,
pés descalços, cabelos ao vento.
Subiu na pitangueira
(cuidado! Por um triz você quase caiu!)
Pulou muros
(psiu! Para roubar goiabas no vizinho)
Brincou nas ondas do mar.
Jogou bolinha de gude com a molecada, soltou pandorga,
entrou na pelada, no bate-bola do Zé, fechou o gol,
pulou amarelinha, lenço-atrás, andou de patinete.
Comeu melancia, pitomba, manga, sorvete de mangaba.
A roupa, os braços, orelhas, o rosto, tudo lambuzado,
açucarado – da ponta do nariz ao dedão do pé!
(ui! Doeu a picada do marimbondo!)
Foi à matinê ver filme de cow-boy.

Cansada,
voltou para casa comendo algodão-doce
não se esquecendo de,
antes de entrar, dizer-me:

– Oi,…

Homenagem ao homem livre

Eduardo chegou em casa cabisbaixo. A mãe estranhou o comportamento do filho, mas preferiu não o atormentar com perguntas. Contudo, seu abatimento era evidente. Logo ele que adorava a escola! Ávido de novos conhecimentos, era de seu costume chegar em casa alegre e ansioso para comentar sobre o que aprendera. Contudo, o jovem, sempre sorridente e afável, chegou em casa macambúzio. Olhos voltados para o chão. Não disse nada, recusou o lanche e foi direto para o quarto, recluso, em absoluto silêncio.
Assim que o pai chegou em casa, a mãe, zelosa, pediu sua intervenção para apurar o que estava havendo. Inteirado dos fatos desfez-se da pasta, afrouxou a gravata e foi ao quarto do filho para descobrir quais demônios assombravam e distorciam sua face imberbe.
- E então, meu filho, qual o mal que te aflige?
- Nada!
- Seja sincero, jamais tivemos segredos. Pode falar! O que aconteceu para você estar assim, tão triste?
O filho, finalmente, encarou o pai. Nos olhos de Eduardo não havia tristeza, mas d…