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A Solução Definitiva

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Finalmente, depois de décadas de reflexão, o grande Kzar encontrou a solução definitiva para a violência no mundo. Qual é Kzar? - Castrar o pobre já na sala de parto! - Como? - Eu explico. Todos sabem que a violência só existe onde há pobres. Veja os criminosos. Todos são pobres. Alguns dirão que não e citarão casos em que jovens ricos se matam ou atropelam pessoas nas ruas. Em primeiro lugar, atropelam pobres. Se não fossem pobres não estariam nas paradas de ônibus às 5h da manhã. Ou você já viu algum rico pegando ônibus de madrugada para ir trabalhar? Vê, até nisso os pobres atrapalham. Em segundo lugar, ricos não são violentos, têm transtornos de personalidade ou surtos psicóticos. Duvida? Pergunte a qualquer bom advogado – ricos têm bons advogados, pobres não. Pois bem, voltando à solução perfeita para o fim da violência. Ora, tomando por base o fato de que só há violência na sociedade por que existem os pobres, conforme já foi esclarecido acima, ...

Felicidade

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fonte da imagem: http://sucessomental.com/o-segredo-da-felicidade/ Vejo as pessoas lastimando não encontrarem a felicidade. Estive refletindo sobre isso. Não foi uma reflexão solitária, pois entraram na roda grandes pensadores e suas próprias reflexões sobre o tema. Tales de Mileto, um dos meus preferidos de seu tempo afirmava que ter "corpo são, boa sorte e alma bem formada" resultava em felicidade. Os conceitos de sorte e bem, contudo, carecem de uma análise tão profunda e de resultados tão controversos que tornam impossível uma conclusão definitiva. Para Sócrates (se é que existiu e não se tratava apenas do alter ego de Platão) a felicidade seria alcançada por "uma conduta justa e virtuosa". Novamente encontramos dificuldades insuperáveis ao definir o que seria justo e virtuoso? Mas deixemos a Ética de lado, nosso objetivo é alcançar a felicidade... É sobre a ideia de Immanuel Kant que desejo fazer minha crítica. Em seu livro Crítica ...

Sabia?

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Sabe por que você tem raiva? Porque você tem medo! Sabe por que você tem medo? Porque você não conhece! E o desconhecido é assustador, não é? Não há nada de errado comigo, Eu só não sou como você! Cezar Lopes

Matriosca

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Há noites em que me sinto igual a uma matriosca. E meu Eu crítico (crístico?) e sarcástico em sua essência me interpela nestes termos: - Quem te garante que tu não estás entre as bonecas menores? Rica em conteúdo, mas sufocada pela grandiloquência verborrágica das bonecas inanes que te envolvem! Respondo, insone, de forma inconclusiva, lembrando do meu querido brother Ubiratan : - Vai saber!

Só porque é natal

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Ricardo é empresário. Nascido em berço pobre, lutou muito para construir seu patrimônio e acredita que dar esmola em nada contribui para o crescimento do cidadão. Não obstante, ao voltar para casa todos os dias deparava-se com um menino franzino, pele parda, olhos verdes e cabelos loiro, liso e pastoso que vinha sorridente até a janela do seu veículo: - Tio, tem uma moedinha? Passaram-se os meses e mesmo depois de muitas negativas o menino persistia. Com seu sorriso de criança sempre que Ricardo negava-lhe o pedido agradecia e saía saltitante correndo em direção a outro veículo. Pelo retrovisor, Ricardo observava pensativo: devo admitir que esse guri não desiste facilmente... Ah, e tem o jeito de correr do Garrincha também. Então o sinal abria e Ricardo seguia viagem deixando para trás o “menino da sinaleira” como o havia apelidado na conversa com os amigos. Vinte e três de dezembro, a cidade, enfeitada, prepara-se para receber ao Papai Noel. As luzes coloridas es...

O Bolo

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Moro sozinho, sem gatos nem cachorros, e sou diabético. O que tem o diabetes a ver com essa estória? Bem, não se encontra doces para diabéticos em qualquer esquina e eu estava desejoso de comer um bolo de chocolate. Foi assim que tudo começou. Para fazer um bolo, segundo minhas pesquisas, uma das coisas de que precisaria além do pacote de bolo, evidentemente, seria uma batedeira. Mas eu não tinha batedeira. Então fui até uma loja de departamentos e rapidamente encontrei o que procurava. Batedeiras! Sim, eram várias! Dos mais diversos tamanhos, das mais diversas cores e marcas. Ótimo! Contudo, eu só quero fazer um bolo de chocolate. Procurei a mais simples. Enquanto escolhia uma vovó às minhas costas comentou: - Só 150 watts? Essa é muito fraquinha! Respirei fundo e fiz de conta que não era comigo. Logo chegou a acompanhante da vovó e acrescentou dirigindo-se a mim: - É mesmo. Essa aí é muito fraquinha. O senhor vai se arrepender. Aí fui obrigado a retruca...

Ruas Desertas

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                          Foto: Filipe Moraes Ando pelas ruas desertas Desta cidade que me acolheu O vento revolve as folhas caídas Num bailado embalado Por uma melodia silenciosa Penso... porque não sei não pensar... Lembro, triste sina essa A de lembrar... Tantas conquistas Tantas derrotas Tudo em vão... Que desperdício... O desperdício é um vício Que mais sobra quando falta... Nos shoppings, mercados, nas lojas Vejo pessoas ... Todas iguais... todas velhas conhecidas... Começam a se repetir... Lembrando alguém que persiste na memória... Somente na memória... Tempo... vida... que grande falácia... Brindemos, pois, a essa desgraça... Agora o Arlequim já pode chorar. Cezar Lopes.