Postagens

Das mães

Mãe...São três letras apenas As desse nome bendito: Também o céu tem três letras E nelas cabe o infinito Para louvar a nossa mãe, Todo bem que se disser Nunca há de ser tão grande Como o bem que ela nos quer Palavra tão pequenina, Bem sabem os lábios meus Que és do tamanho do CÉU E apenas menor que Deus! Mário Quintana

Que Será de Nossos Fantasmas?

Noutros tempos a sociedade era neurótica, hoje é paranóica. De quem será a culpa? [1] Parece-me que a culpa é dos arquitetos. Sim, dos arquitetos. Pois foram eles que tiraram, das casas, os porões e os sótãos. Sem sótãos e sem porões aonde diabos irão habitar os nossos fantasmas? De família ou adquiridos ao longo do caminho, aonde irão se encontrar para bater aquele papo de fim de noite com seus velhos, e defuntos, amigos? E as nossas crianças? Crescerão sem o sibilar dos ventos naquelas velhas janelas de grandes sótãos onde dormiam as corujas, os morcegos, e os fantasmas que, à noite, faziam das suas, divertindo-se em despertar o medo, latente em todo ser humano desde a idade da razão, com relação à sua transitoriedade neste plano. Se isso já soa terrível, que dizer, então, daqueles fantasmas (underground) que habitavam os porões das casas antigas? A eles, mais que aos fantasmas dos sótãos, não interessa ficarem expostos ao dia em garagens cheirando a óleo e graxa ou em quartinhos ap...

Eleição, Hora De Acabar Com o Mal Pela Raiz

Sabe o quanto dói uma dor de dente? Sabe mesmo? A geração atual não conhece este problema. Falo, evidentemente, das classes D para cima. A classe E que fique no limbo do Esquecimento, como sua sigla bem o sugere. E quem não gostar desta afirmação, ou achá-la inconveniente, dê uma olhada nas páginas policiais. Nas vilas, no Natal, tem pivete apontando arma para o Papai Noel. Estes já nascem com a dentadura condenada. Ali a dor é estatutária. Não pode ser removida nem por decreto presidencial mas, se por algum meio for excluída, voltará através de recurso. Contudo, mesmo que não volte, continuará no plano psicológico donde não sairá jamais. A favor destes exilados da sociedade resta o consolo de que uma dor estatutária, torna-se ineficiente, deixando, depois de um certo tempo, de surtir efeito no corpo. Mas aí seus sinais já estão calcados nos indivíduos. Pois que a dor tira a concentração, incapacitando de tal forma que torna impossível ao raciocínio entender a realidade. Qu...

Menos Um Marginal No Mundo

“O nome é Diogo. Idade? Quinze. Por que caí [1] ? 1-5-7 [2] . Meu pai? Morreu antes de eu nascê. A mãe conta que ele tava de bobeira e um policial encheu ele de bala. Disseram que ele tinha uma arma. Mas a mãe diz que ele nunca teve arma. Ele tinha 16. A mãe? É mulher da vida”. Encostado junto ao meio fio, Beto aperta um baseado. Viver estava cada vez mais complicado. A namorada acabara de comunicá-lo, estava grávida. Aí sim, refletia enquanto acendia o cigarro, já era difícil ajudá a mãe... Imagina, agora com um filho! Que estranho! Acho que vô me acostumá com isso. A gente se acostuma com tanta coisa... A gente se acostumou co’a morte do pai e do Chico. Morre um aqui... Nasce um ali... A gente se acostuma. Mas o Chico foi doído. A mãe ainda sente a falta dele. Ela não fala, mas fica a tarde intera na frete da geladera, olhando aquela foto onde a gente era piá, brincando na rua. Também, aquele burro tinha jeito pra se metê em briga. Um dia ia dá nisso. A mãe já devia sabê....

O cego e o poeta

Em uma rua de Paris havia um cego, com uma placa dizendo “me ajude, sou cego” e uma caneca de esmolas na mão, contudo, poucos o ajudavam. Certo dia um poeta passou por ele sem consultá-lo trocou os dizeres da placa. O cego passou a receber muita ajuda. Curioso, perguntou àquele que viera buscá-lo o que havia mudado. Este lhe respondeu: não sei, mas na sua placa está escrito: “É primavera em Paris e eu não posso ver as Flores”. Autor desconhecido.

O nascimento de uma estrela

Caro André: Claro que o tempo reconstrói nossa memória. Por isso mesmo faço questão de reescrever esse texto que reflete o teu nascimento. Pois bem, foi assim: Naquele dia 23 de junho de 1998, perto da hora do café, sua mãe me disse: - Ai, rompeu a bolsa! Olhei em volta refletindo: -Mas não tem nenhuma bolsa por aqui! Fiquei intrigado, procurando ao meu redor uma bolsa que pudesse ter-se rompido. Imaginei que ela tivesse lido isso no jornal, mas logo concluí que uma quebra violenta na bolsa de valores seria manchete e eu já teria lido sobre o assunto. Nesse ínterim, ela interrompe meu raciocínio gritando: - A bolsa rompeu, chama um táxi! Convém ressaltar que eu tinha uma parati, na época, mas não estava mais em condições de dirigir depois da terceira cabeçada tentando passar pela parede rumo ao telefone (fica complicado caminhar e pensar na bolsa de valores, na porta, no táxi, no telefone e no nascimento do primeiro filho, tudo ao mesmo tempo). A porta, pude constatar horas depois ao v...

Das palavras

Tenho ouvido muitas discussões sobre a política gaúcha que está envolta em corrupção, intrigas políticas e fofocas. Chama-me a atenção que as pessoas dêem mais valor para as palavras proferidas em situações diversas em detrimento da história dos indivíduos envolvidos. Não me questiono se é verdade ou se apenas parece verdade. Isso é irrelevante para o passado e cabe à justiça decidir sobre o assunto. O que me faz estarrecido é a incapacidade das pessoas, em todas as esferas, em perceber que o sentido de uma frase, quando contada por terceiros pode mudar completamente. Quando alguém diz que sou um bobalhão, é importante nos atermos, não à frase, propriamente dita, mas ao significado explícito na forma como essas palavras são ditas. Digo isso por que já passei, eu mesmo, por situação semelhante, quando então, pessoa amiga, veio me trazer as palavras de outro amigo, ditas a meu respeito. De pronto, reduzi aquela amizade a simples contato social. Um amigo de verdade não faz fof...