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O nascimento de uma estrela

Caro André: Claro que o tempo reconstrói nossa memória. Por isso mesmo faço questão de reescrever esse texto que reflete o teu nascimento. Pois bem, foi assim: Naquele dia 23 de junho de 1998, perto da hora do café, sua mãe me disse: - Ai, rompeu a bolsa! Olhei em volta refletindo: -Mas não tem nenhuma bolsa por aqui! Fiquei intrigado, procurando ao meu redor uma bolsa que pudesse ter-se rompido. Imaginei que ela tivesse lido isso no jornal, mas logo concluí que uma quebra violenta na bolsa de valores seria manchete e eu já teria lido sobre o assunto. Nesse ínterim, ela interrompe meu raciocínio gritando: - A bolsa rompeu, chama um táxi! Convém ressaltar que eu tinha uma parati, na época, mas não estava mais em condições de dirigir depois da terceira cabeçada tentando passar pela parede rumo ao telefone (fica complicado caminhar e pensar na bolsa de valores, na porta, no táxi, no telefone e no nascimento do primeiro filho, tudo ao mesmo tempo). A porta, pude constatar horas depois ao v...

Das palavras

Tenho ouvido muitas discussões sobre a política gaúcha que está envolta em corrupção, intrigas políticas e fofocas. Chama-me a atenção que as pessoas dêem mais valor para as palavras proferidas em situações diversas em detrimento da história dos indivíduos envolvidos. Não me questiono se é verdade ou se apenas parece verdade. Isso é irrelevante para o passado e cabe à justiça decidir sobre o assunto. O que me faz estarrecido é a incapacidade das pessoas, em todas as esferas, em perceber que o sentido de uma frase, quando contada por terceiros pode mudar completamente. Quando alguém diz que sou um bobalhão, é importante nos atermos, não à frase, propriamente dita, mas ao significado explícito na forma como essas palavras são ditas. Digo isso por que já passei, eu mesmo, por situação semelhante, quando então, pessoa amiga, veio me trazer as palavras de outro amigo, ditas a meu respeito. De pronto, reduzi aquela amizade a simples contato social. Um amigo de verdade não faz fof...

A magia do amor

Quando a magia do amor chegar, nada pode interrompe-la. (André Luiz 9 anos)

Faca na caveira

Li que o BOPE do RJ vai começar a usar armas não letais, tais quais, spray de pimenta e balas de borracha. Não sei quem ganha com isso e nem quantas vidas isso vai custar. Mas duvido que homens da envergadura dos policiais do BOPE vão se dobrar às falcatruas do poder simplesmente para atender às covardias intitucionais de uma nação que se submete às pressões, sem nexo, de instituições que defendem os direitos humanos de quem não é humano, na perfeita acepção da palavra. Fico imaginando policiais treinados para invadir favelas, usando spray de pimenta e balas de borracha contra pistolas e fuzis... que besteira! por Deus!

A família e a sociedade humana.

De todos os momentos que tenho para lembrar como bons, a grande maioria está ligada à família. A célula mãe da sociedade. Uma das coisas boas das famílias é que, ali, todos os papéis são bem definidos. O pai, a mãe, os filhos. Na condição de filho, coube a mim o papel de questionar. Gostei tanto que pratico isso até hoje. Na condição de pai, coube-me o dever de educar. Neste caso a responsabilidade se tornou o mote. Ao invés de questionar, tenho de esclarecer, ensinar. Claro que até ensinando me questiono. Ainda assim, todos os valores que recebi de casa (a verdade, a honestidade, a responsabilidade, o respeito aos outros, o respeito às opiniões contrárias, a honra, a palavra e o bom senso) estão sendo, paulatinamente, transferidos para o meu filho, que também questiona, mas, dentro das condições de seu entendimento, comporta-se de acordo com os ensinamentos que lhe passo. O fato é que, apesar do advento da informação instantânea, da degradação moral que os meios de comunicação impõe a...

Francelino Levou Choque

No ano da graça de mil novecentos e setenta e dois nasceu Francelino Roque Cruz, filho único do Sr. Edvaldo Cruz e dona Lucimeidi Roque Cruz. Contam os mais próximos que já nos primeiros ensaios de engatinhar Francelino logo descobriu uma tomada e meteu o dedo. Foi seu primeiro choque e tomou gosto pela coisa. Assim, mesmo ante as medidas salutares de seus pais tampando as tomadas com protetores, o menino logo descobriu como removê-los e ainda como colocá-los de volta, para não levantar suspeitas. Claro que sua mãe percebia os cabelinhos arrepiados, mas, por mais que se esforçasse em descobrir onde o menino tomara choque jamais lograra êxito. Seu pai chegou a sentenciar, certa vez: esse menino puxou aos Cruz mesmo, gosta de tomar choque! Na escola Francelino procurava sentar sempre ao lado de uma tomada. Era chegar o dia de uma prova e pronto, lá estava o Francelino gemendo baixinho, com o dedo enfiado na tomada, dê-lhe tomar choque. Mirrado, se cor e sem graça,...

O segredo

Larguei de mão a vontade de fazer melhor o mundo agora desejo apenas alguns instantes de silêncio Não culpo a ninguém por isso apenas, talvez, a minha consciência Desperto e sem paciência já não desenho quimeras dos desejos dessa terra apenas um me acompanha E é um segredo.