Silêncio

Nesta noite as lágrimas escorrem silenciosas na casa da dona Luíza! Em volta de uma mesa de madeira com uma toalha de plástico florida e um vaso de flores plásticas dispostas ao centro, testemunhando a feminilidade latente, obscurecida pela miséria e pela dor de uma menina que se fez mulher muito cedo. De uma mulher que se tornou mãe quase sem querer. De uma mãe que se fez pai, para que seu filho pudesse nascer. Mas nascer não é o bastante. É preciso crescer, desenvolver aptidões cognitivas, sensoriais e morais que apenas uma família completa, em toda a sua complexidade pode oferecer. Contudo, o Ruivo nasceu. Recebeu de batismo o nome de Marcelo. Nome complexo igual à vida do rebento. Afinal, não é fácil crescer sem pai nem mãe, ainda que a mãe esteja presente, sempre que possível, ao seu lado. Mas dona Luíza tem que trabalhar para alimentar seu filho, seu tesouro. Aquele em quem investiu todas as suas esperanças. Aquele que recebeu todo o seu amor. Já o menino, apelidado...