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Natal extemporâneo

Trinta e um de dezembro, Marcelo estava terminando alguns documentos em seu escritório quando de súbito: - Ho, ho, ho! - Aaah! Que susto! Quem é você? Como entrou aqui? - Sou o Espírito do Natal. - Hum, Espírito que Anda, puxa, mas você engordou hein? - Que Espírito que Anda o quê? Sou o Espírito Natalino. Vim trazer seu presente de natal. - Por quê? - Por que você se comportou. - Espere um pouco eu não conheço você, nunca fomos apresentados e você aparece do nada me trazendo um presente alegando que eu me comportei? Você anda me seguindo? - Bem, não... - E depois, o Natal já passou estamos na véspera de ano novo! - É, sabe como é... A população mundial só aumenta e eu continuo com a mesma equipe desde sempre... - Sei. E você nunca ouviu falar em DHL, Upsense, SEDEX? Depois, ainda não me explicou por que eu devo aceitar presente de um velho gordo que eu nunca vi. - ??? - Bem, quer dizer, desculpe, não quis ofendê-lo. Devia ter dito um idoso obeso. - Bom eu sou o Papai No...

O malandro e o xampu ou dura lex sed lex

O processo corria célere. Nem querelante nem querelado tinham mais quaisquer dúvidas sobre o resultado. João da Silva, profissão, malandro, ocupação, batedor de carteira, natural não se sabe de onde, achou uma mina de ouro num processo. Processou uma empresa fabricante de um dos xampus mais famosos da pátria por propaganda enganosa. Requerendo indenização por danos materiais e morais pelo constrangimento a que fora submetido ao adquirir “uma unidade do produto em tela na qual se lia em letras miúdas: cabelos com um brilho estonteante.” Ora, ocorre que João da Silva acreditou piamente no que anunciava a embalagem do produto. Mas as coisas não saíram exatamente conforme prometia o reclame. Claro que o cabelo do João também não era lá essas coisas, mas um brilho estonteante não se viu nem de longe e muito menos de perto. No começo ele pensou que deveria repetir a dose mais algumas vezes, mas mesmo após lançar mão de todo o conteúdo, nada de “brilho estonteante”. E foi essa a motivaçã...

Cresça e apareça!

Sua mãe sempre dizia Filho, cresça e apareça! Pô, sacanagem dar este conselho a um anão.

Posso ser insano mas não estou sozinho

Meu Amigo diz   Angela Merkel disse que nenhuma ciumeira de líderes europeus vai resolver a crise orçamental européia, lembrando que é necessário atacar a raiz do problema pela redução da dívida e através de reformas, reforçando sobretudo as restrições à ESPECULAÇÃO. Cezar Augusto Lopes diz Ah pois é... E tem muito especulador que vive disso e só disso. Mas na Europa e nos EUA as pessoas estão acordando do sonho americano para uma realidade nada colorida. Por aqui, por enquanto, ainda se vê a América do Norte como um exemplo a ser seguido... Belo exemplo! Meu Amigo diz Aqui está todo mundo embriagado com as delícias de poder consumir coisas chinesas a preços baixos com a ajuda dos auxílios ao populacho e obras do PAC. Cezar Augusto Lopes diz Bem isso. Dura mesmo vai ser a ressaca. Meu Amigo diz Ja notou que parece que estamos em outro planeta? Tipo, não é comigo. Cezar Augusto Lopes diz Sim. Como se não estivéssemos intrinsecamente ligados pelo sistema financeiro que rege o ...

HAPPY FAMILY

por Marcelo Sguassábia A casa perfeita da família feliz recebia, de dois em dois anos, uma demão de tinta na parte externa e nos madeiramentos. A cada seis meses, dedetização e limpeza da caixa d’água. De 45 em 45 dias, o jardineiro para aparar a grama. Diariamente, a perua escolar e suas duas buzinadinhas regulamentares para buscar filhinho e filhinha. Havia pichações por todo o bairro, menos no imenso muro caiado da casa feliz. Nem sinal de sujeira de pomba, fuligem de queimada ou formigueiro. Asséptica e harmônica em suas formas, a casa feliz era quase música, uma figura etérea em meio à feiúra do quarteirão. Tinha chaminé, cerquinha, floreiras nas janelas e o caminhozinho sinuoso que saía da porta em direção à rua. Como de hábito, após dar lustro à coleção de miniaturas papai colocava os planos familiares em planilhas do Excel. Ali ficava horas com seus cálculos e projeções. Mamãe evocava a proteção divina em preces e cânticos. Depo...

Mais

Querem saber mais? Mais de mim? Ora, é fácil e simples Perguntem a si mesmos o que tenho, o que sou enfim, perguntem o valor de sentirem o que sinto o quanto me dói viver sem começo nem fim apenas uma metástase nada mais que uma transição entre o que fui e serei para sempre, ou até que entendam por que sou assim Ou seja... ninguém O Universo sem começo, sem meio e sem mim, ou estou enganado?

Viver

Ele não acreditava em coisas novas. Para falar a verdade, não acreditava, sequer, em coisas velhas. Sua crença se resumia em sua capacidade, no dia-a-dia (ainda se separa assim?), em solucionar problemas. Foi quando apareceu Estela. Meiga, doce, sinuosa, diferente de tudo o que conhecia. Até então, seu mundo se resumia em bit's e flag's. Tudo muito simples. Matemática binária onde um mais um não dá dois, mas zero. Loucura, mas loucura real. Fácil de decodificar, fácil de entender. Contudo, surgira Estela. Que lhe mostrou a vida de uma forma diferente. Não de uma forma mágica, mas de uma forma diferente. Ali, ele tinha o controle da situação, não seu pai, nem sua mãe. E ele gostou disso. Com o decorrer dos dias sua vida foi se modificando. Não por que ele quisesse, mas por que ele precisava. Precisava se libertar, ainda que jamais pudesse admitir, ainda que jamais pudesse dizer francamente. Não tinha essa índole. Não ofenderia àqueles que lhe ofereceram ...