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Posso ser insano mas não estou sozinho

Meu Amigo diz   Angela Merkel disse que nenhuma ciumeira de líderes europeus vai resolver a crise orçamental européia, lembrando que é necessário atacar a raiz do problema pela redução da dívida e através de reformas, reforçando sobretudo as restrições à ESPECULAÇÃO. Cezar Augusto Lopes diz Ah pois é... E tem muito especulador que vive disso e só disso. Mas na Europa e nos EUA as pessoas estão acordando do sonho americano para uma realidade nada colorida. Por aqui, por enquanto, ainda se vê a América do Norte como um exemplo a ser seguido... Belo exemplo! Meu Amigo diz Aqui está todo mundo embriagado com as delícias de poder consumir coisas chinesas a preços baixos com a ajuda dos auxílios ao populacho e obras do PAC. Cezar Augusto Lopes diz Bem isso. Dura mesmo vai ser a ressaca. Meu Amigo diz Ja notou que parece que estamos em outro planeta? Tipo, não é comigo. Cezar Augusto Lopes diz Sim. Como se não estivéssemos intrinsecamente ligados pelo sistema financeiro que rege o ...

HAPPY FAMILY

por Marcelo Sguassábia A casa perfeita da família feliz recebia, de dois em dois anos, uma demão de tinta na parte externa e nos madeiramentos. A cada seis meses, dedetização e limpeza da caixa d’água. De 45 em 45 dias, o jardineiro para aparar a grama. Diariamente, a perua escolar e suas duas buzinadinhas regulamentares para buscar filhinho e filhinha. Havia pichações por todo o bairro, menos no imenso muro caiado da casa feliz. Nem sinal de sujeira de pomba, fuligem de queimada ou formigueiro. Asséptica e harmônica em suas formas, a casa feliz era quase música, uma figura etérea em meio à feiúra do quarteirão. Tinha chaminé, cerquinha, floreiras nas janelas e o caminhozinho sinuoso que saía da porta em direção à rua. Como de hábito, após dar lustro à coleção de miniaturas papai colocava os planos familiares em planilhas do Excel. Ali ficava horas com seus cálculos e projeções. Mamãe evocava a proteção divina em preces e cânticos. Depo...

Mais

Querem saber mais? Mais de mim? Ora, é fácil e simples Perguntem a si mesmos o que tenho, o que sou enfim, perguntem o valor de sentirem o que sinto o quanto me dói viver sem começo nem fim apenas uma metástase nada mais que uma transição entre o que fui e serei para sempre, ou até que entendam por que sou assim Ou seja... ninguém O Universo sem começo, sem meio e sem mim, ou estou enganado?

Viver

Ele não acreditava em coisas novas. Para falar a verdade, não acreditava, sequer, em coisas velhas. Sua crença se resumia em sua capacidade, no dia-a-dia (ainda se separa assim?), em solucionar problemas. Foi quando apareceu Estela. Meiga, doce, sinuosa, diferente de tudo o que conhecia. Até então, seu mundo se resumia em bit's e flag's. Tudo muito simples. Matemática binária onde um mais um não dá dois, mas zero. Loucura, mas loucura real. Fácil de decodificar, fácil de entender. Contudo, surgira Estela. Que lhe mostrou a vida de uma forma diferente. Não de uma forma mágica, mas de uma forma diferente. Ali, ele tinha o controle da situação, não seu pai, nem sua mãe. E ele gostou disso. Com o decorrer dos dias sua vida foi se modificando. Não por que ele quisesse, mas por que ele precisava. Precisava se libertar, ainda que jamais pudesse admitir, ainda que jamais pudesse dizer francamente. Não tinha essa índole. Não ofenderia àqueles que lhe ofereceram ...

Mal Secreto

Se a cólera que espuma, a dor que mora N'alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja a ventura única consiste Em parecer aos outros venturosa! Raimundo Correia

A vila da viúva seca

- Nem uma lágrima, comentou seu João. - Nenhuma? Nenhuma mesmo? Quis saber o velho carpinteiro. - Nem uma, retornou seu João balançando a cabeça. E completou: a viúva não derramou nenhuma    lágrima sequer. A mulher é seca por dentro. Devagar como a cidade, a novidade foi se espalhando e crescendo. - Diz que até sorria, falou dona Maria, a lavadeira mais afamada do vilarejo. E também a única. - Quando levantaram o caixão viram ela fazer o sinal da cruz ao contrário. É coisa do demônio! Confidenciou o bêbado ao botequeiro. - Sabia que era bruxa. Falam que viram ela no cemitério depois do enterro, de noite. É feitiço, com certeza, esclareceu dona Flora, a primeira dama que seria, se a pequena vila fosse emancipada, abição que acalentava junto com todas as outras desmentidas pelo tempo que deixa rotos os sonhos pobres dos espíritos sem criatividade. - Dias antes de ele morrer diz que ela vendeu a alma dele pro capeta, retorquiu Nora, a vizinha da primeira da...

Meus versos

Quando escrevo meus versos não raro dispenso a rima ignoro a métrica pouco me importo com a estética Versos sentidos, sofridos paridos à custa de minhas angústias não precisam de permeio o recheio é o meu sangue o adorno, minhas lágrimas e o significado um mistério desnudo àqueles que têm o dom o sacromaldito dom das próprias emoções alheias. Cezar Lopes.