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Da chuva

Está chovendo gosto muito da chuva ela lava minhas chagas leva embora minhas mágoas sacia minha sede de viver renova minhas forças torna-me mais forte e mais flexível para que eu seja impassível com os arrogantes generoso com os necessitados altaneiro mesmo nas derrotas e humilde em qualquer circunstância Ah, eu gosto muito da chuva.

Da sabedoria popular

"Amigo é aquele que, na hora da precisão, já chega batendo sem sequer se preocupar se é briga ou batizado."

Maria fogão, Maria pia

A panela de pressão pressionando, as crianças querendo atenção, a torneira pinga-pingando e Maria, pia, pilotando o fogão. Há quem diga que foi sempre assim. Maria é piedade e redenção. Maria é amor de mãe. Maria é toda, todinha, coração. Certo? Não. Maria era uma menina fagueira, faceira, brincando de roda, pulando amarelinha, iluminando a criação. Então, de repente, começou a crescer. Deixou de lado as bonecas, e descobriu o amor. A mãe, outra Maria, pia, ficou consternada, mas o que se há de fazer. Um dia aconteceria. Antes dos dezoito Maria estava grávida e o casamento foi apressado. Depois do primeiro veio o segundo e o brilho do olhar de Maria tornou-se, gradativamente, baço. Finalmente, depois de tantas decepções que os primeiros amores trazer de roldão, perdida e sem mais qualquer ambição, Maria tornou-se a Maria, pia, suportando, despretensiosa, a panela de pressão. Cezar Lopes. 

Marcas

As marcas que ficam em nós fazem calar tagarelas tornam mais forte e mais belas as palavras ponderadas As marcas essas marcas indesejadas tornam mais curtos os caminhos limpam a poeira das estradas As marcas tal qual alegrias e mágoas ficam pelo caminho e vão conosco as primeiras para sempre as segundas para a eternidade Para guardar humildade para desconhecer vaidades benditas sejam as marcas que nos vêm com a idade. Cezar Lopes.

O náufrago número 07

Quando o número 07 acordou encontrou os destroços ao seu lado. Havia naufragado em sua passagem por este plano. Por sorte e muito esforço, conseguira sobreviver. Mas, sobreviver, simplesmente, só tem valor, importância quando se está frente à morte certa. Depois disso já não basta. Naquelas condições seu primeiro passo foi buscar os restos úteis da nau de sua existência. Náufragos, descobriu naquele instante, têm o desejo ardente de retornar ao convívio em sociedade. Logo ele, refletia, que se imaginava capaz e plenamente feliz sozinho entre as gentes! Agora, todavia, cada pedaço dos restos úteis de sua história aos quais localizava remetia-o a pessoas às quais amava, pessoas às quais magoara. Então, ele chorou. Entretanto, também encontrou pedaços inúteis da embarcação da sua vida que remeteram-no a pessoas sem qualquer importância. Pessoas que se aproximaram dele apenas pr sua incapacidade de dizer não. Nesses momentos, então, ele riu. Riu alto. Gargalhou. Quem viss...

Atenção

É meu dever informar que estarei longe desse espaço por algum tempo para tratar da saúde. Quanto tempo? Não sei. Dias, meses, não sei ao certo. Porém, caso não sobreviva, deixo meu agradecimento por sua amizade nessa vida. Obrigado. Falecido poeta - Cezar Lopes.

Quer brigar?

Quer brigar? Ok, mas não comigo estou cansado de guerras agora preciso apenas de um colo amigo... longe de mim... É que eu brigo sizinho!